Mato Grosso, medido todos os dias.
O panorama ambiental do estado — desmatamento, fogo, embargos, regularização, recuperação de APP, manejo florestal e mineração — agregado das bases oficiais que o Sentinela ingere e audita. O mesmo motor que emite relatórios por imóvel, lendo o estado inteiro.
Agregados calculados em 18/09/2026 · fontes com data própria abaixo
O ciclo atual do fogo em Mato Grosso está -20% em relação ao ciclo passado.
Comparação limpa: os mesmos meses, medidos pelo mesmo satélite (GOES) — 114.622 registros agora contra 142.409 no ciclo anterior.
Observatório Sentinela · atualizado diariamente
202.495 no SICAR federal · 176.501 no SIMCAR estadual — bases diferentes, ambas certas
Todo número de CAR depende de qual base o conta. Este painel usa o SICAR federal (Serviço Florestal Brasileiro) e declara a régua em cada indicador; contagens da SEMA-MT em geral se referem ao SIMCAR estadual, que é outro universo.
SICAR federal (SFB) — 202.495 cadastros
Todas as situações cadastrais entram na conta:
SIMCAR estadual (SEMA-MT) — 176.501 cadastros distintos
Requerimentos superam cadastros porque re-cadastro gera mais de um processo por imóvel. É daqui que saem as contagens na casa dos 150–190 mil citadas pelo Estado.
A ponte entre as duas: 161.830 CARs federais têm requerimento no SIMCAR — e 40.665 não têm par na base estadual (re-cadastros, duplicidades e cadastros que nunca migraram).
Fontes: SICAR federal (download SFB; painel oficial da regularização ambiental registrava 201.591 cadastros para MT na extração de 07/07/2026 — mesma base, corte diferente) × SIMCAR/SEMA-MT (espelho semanal da base pública). Nenhuma das contagens está “errada”: medem universos diferentes, e cada indicador deste painel declara o seu.
O estado no mapa, métrica a métrica
Municípios pintados pela métrica escolhida, hotspots do quadro de alertas (células de ~5,5 km) e, no zoom, os polígonos individuais com o status de autorização.
Malhas IBGE e regiões oficiais · métricas pré-computadas do Observatório · alertas SEMA-MT cruzados com autorizações. Imagem de satélite © Esri, Maxar, Earthstar Geographics (modo alertas).
Os cadastros declaram 90,1 M ha — o território coberto é 70,1 M ha
A soma das declarações conta a mesma terra mais de uma vez onde cadastros se sobrepõem (re-cadastro, disputa de limite, desmembramento declarado em dobro). Medindo o território uma vez só, o CAR cobre 78% do estado.
Há 1,5 M ha de CAR declarado por cima de Terra Indígena — indício de conflito declaratório, não veredito: o CAR é autodeclarado e a análise é do órgão. Sobre Unidades de Conservação são 2,5 M ha, parte em APA, onde o CAR é esperado — sobreposição com UC não é, por si, irregularidade.
Base: SICAR federal (Serviço Florestal Brasileiro), todas as situações cadastrais — ativos, suspensos, pendentes e cancelados. Contagens do SIMCAR estadual usam outro universo e por isso diferem; cada indicador deste painel declara a sua base. Fontes: perímetros do CAR (SICAR/SFB) × Terras Indígenas (FUNAI) × Unidades de Conservação (CNUC/MMA) × malha municipal IBGE. Área única por união geométrica (célula a célula, sem dupla contagem); sobreposição relevante = interseção com outros cadastros ≥ 1 ha ou ≥ 5% da área do imóvel — raspão de divisa não conta. Os quatro segmentos da barra são disjuntos e somam a área do estado.
O desmatamento consolidado, ciclo a ciclo
Área desmatada por ciclo PRODES (mil hectares) e, ao lado, onde os alertas dos últimos 12 meses se concentram.
Onde o desmate recente se concentra
Área DETER (últimos 12 meses), por município (mil ha)
Fontes: PRODES e DETER (INPE/TerraBrasilis), alertas de monitoramento SEMA-MT e MapBiomas Alerta — agregação Sentinela.
71% dos alertas de monitoramento não têm autorização correspondente
113.231 alertas publicados pela SEMA-MT nos últimos 12 meses, somando 2,7 M ha. O índice acima é calculado sobre os 78.295 alertas de supressão, cruzados com ASV, AUTEX e PMFS. Ficam fora da conta 29.064 alertas de queimada (a autorização é a AQC, que a régua de área não afere), 1.702 de tombamento por vento ou deslizamento (não existe licença aplicável) e 4.170 de extração mineral (a régua é o título minerário da ANM, não a ASV — sai em indicador próprio).
Tipos de alerta
Onde os alertas se concentram
área em mil ha
Método: alerta conta como “com autorização” quando ≥50% da sua área está coberta pela autorização própria do tipo — supressão por ASV/AUTEX/PMFS; queimada por AQC vigente na data do evento (a cicatriz é detectada depois; mesma régua ≥50% do relatório por imóvel). Autuação: auto lavrado sobre a área APÓS a detecção. Reincidência: alerta dentro de área que JÁ estava embargada. Alerta não é infração; pode haver autorização não georreferenciada.
O desmate por região de Mato Grosso
Área de alertas DETER nos últimos 12 meses, nas 10 regiões do estado (identificadas pela sede).
Valores em mil ha. Malha regional oficial; municípios sem vínculo publicado entram por proximidade geográfica (sinalizados na base como derivados).
494.526 detecções de fogo nos últimos 12 meses
Cada vez que um satélite vê fogo, conta um registro — a mesma queimada aparece mais de uma vez. Por isso, a comparação entre anos usa sempre o mesmo satélite dos dois lados.
Mês a mês
Este ciclo × ciclo passado-20% vs ciclo anterior
A hora do fogo
Pico no meio da tarde, trégua de madrugada — medido pelo satélite que olha para MT o dia inteiro (GOES), não pelos que só passam duas vezes por dia.
Em que bioma
Contado pela posição de cada ponto de fogo — a etiqueta que vem da fonte falha em 4 de cada 10 registros.
Fontes: Programa Queimadas/INPE (dado novo a cada 10 minutos) + NASA FIRMS. Registro de satélite não é infração — e a mesma queimada pode gerar vários registros.
63.0% do fogo cai dentro de imóvel rural com CAR
Cada registro de fogo dos últimos 12 meses, cruzado com o cadastro rural, as áreas protegidas, os embargos e as autorizações de queima.
Em que terra o fogo cai
O mesmo ponto de fogo pode contar em mais de uma linha — as categorias se sobrepõem.
Pequeno, médio e grande seguem a régua oficial de módulos fiscais de cada município: pequeno até 4, médio até 15, grande acima disso.
A autorização de queima (AQC da SEMA-MT) conta no lugar e no dia de cada registro — não vale autorização de outra área ou já vencida.
Quem queima mais, proporcionalmente?
Registros de fogo por mil hectares. O imóvel grande lidera no número bruto porque ocupa mais terra — por hectare, a ordem muda.
A base de cada categoria é a área que ela ocupa em Mato Grosso — imóveis pela área declarada no CAR; TI, UC e assentamentos pela parte dentro do estado.
E o fogo autorizado, onde está?
Os 21.815 registros com autorização válida, pela mesma régua:
74% do fogo autorizado está em imóvel grande. Onde o fogo é mais denso — o assentamento — a autorização quase não existe.
Universo: registros de fogo dos últimos 12 meses dentro de Mato Grosso, cruzados um a um com as bases fundiárias e de fiscalização.
78.440 reservatórios e açudes identificados nas declarações do CAR
O mapa oficial de represas enxerga só 835 espelhos — os grandes. O Sentinela classifica os 306.486 desenhos de hidrografia que os próprios produtores declaram no CAR, cruzando com as bases oficiais e o formato de cada espelho.
15 desenhos com geometria defeituosa ficam fora da conta.
Onde estão
Estimativa do Sentinela: onde não há registro oficial, vale o formato e o tamanho do espelho. Não substitui vistoria nem o cadastro nacional de barragens.
O cadastro nacional de barragens (SNISB/ANA) registra 1.280 barragens no estado — a distância entre o identificado e o cadastrado dá o tamanho da regularização pendente. A Lei 12.334/2010 decide por altura, volume e dano potencial — verificados em campo. Assinante: veja imóvel por imóvel no Radar de Barramentos →
6,8% dos CARs do estado estão validados
Funil de análise no SIMCAR — do cadastro à validação que destrava PRA, compensação e crédito. Base: 202.495 imóveis no CAR.
Fonte: requerimentos SIMCAR/SEMA-MT por CAR (recibo federal). Validados = CAR_VALIDADO + em regularização.
16.494 embargos ativos — 2,2 M ha
Termos de embargo vigentes por órgão e o ritmo de autuação.
Autos de infração por ano
Fontes: IBAMA, SEMA-MT, ICMBio e MP-MT — radar de embargos, autos, TACs e inquéritos do Sentinela.
97,6% dos prazos de TAC ambiental já venceram
Base exclusiva do Ministério Público de MT: 7.044 termos de ajustamento de conduta (TAC) ambientais e 12.819 inquéritos civis. O prazo vencido é medido sobre os 5.259 TACs com prazo registrado — TAC é acordo, não condenação.
Abertos por ano
Fila parada: 4.551 inquéritos abertos há mais de 5 anos — o mais antigo é de 1994. 99,3% correm em segredo de justiça.
O chão dos inquéritos
11.621 imóveis (CAR) aparecem em algum inquérito civil. Onde eles estão:
Comarcas com mais casos
R$ 14,8 mi em compensações financeiras registradas em 1.461 acordos (extraídas dos PDFs dos TACs).
TAC é acordo, não condenação; inquérito civil é apuração, não culpa. A maioria dos ICs corre em segredo de justiça — por isso só agregados, nunca partes. Fonte: MP-MT (portal da transparência); o cruzamento com alerta usa SEMA-MT. Prazo vencido medido sobre os TACs com prazo registrado. Supressão após o acordo é INDÍCIO por satélite (classe não-queimada, ≥1 ha, detectada depois da data de início do TAC) e exige verificação caso a caso: pode haver autorização que este cruzamento não checa.
47 mil ha contratados para recuperar APP — 5,8 ha concluídos
APP degradada (APPD) declarada no CAR do estado, cruzada com o status de análise no SIMCAR. O que o Estado já reconheceu aparece separado do que ainda é só declaração.
A área reconhecida e a contratada em TCR são praticamente a mesma: reconhecer a APP degradada e firmar o termo de recuperação andam juntos. É o mesmo passivo por dois ângulos — nunca a soma dos dois.
Onde o Estado já reconheceu, por bioma
Só a parcela com CAR validado — não é o declarado total
Fontes: APPD declarada e Termos de Compromisso de Recuperação (TCR) da SEMA-MT × situação de análise do SIMCAR. Declarada e contratada em TCR são a MESMA área vista de dois ângulos — não devem ser somadas. Validado = CAR_VALIDADO, incluindo em regularização. Bioma atribuído pelo maior polígono de cada imóvel: serve ao agregado, não ao imóvel. 3.521 ha estão em imóveis sem vínculo municipal no SIMCAR: entram no total do estado e não nos recortes.
A conta da Reserva Legal não fecha no estado: faltam 4,6 M ha na Amazônia
Déficit e excedente de vegetação nativa dos imóveis do estado, confrontados dentro de cada bioma — o Art. 66 §6º da Lei 12.651/2012 só admite compensar Reserva Legal no mesmo bioma.
A exigência de cada imóvel é a soma por tipologia de vegetação, não um percentual único sobre a área total: 80% sobre a fitofisionomia de floresta mais 35% sobre a de cerrado (Lei 12.651/2012, art. 12 §2º; Decreto MT 1.031/2017, art. 41 §1º). Nos imóveis do estado são 51,6 M ha de floresta e 31,4 M ha de cerrado. Dividir o exigido pela área não devolve 80% nem 35% — e a diferença não é erro de cálculo, é a régua da lei.
Outros biomas têm excedente, mas eles não podem pagar o passivo na Amazônia. Somar os saldos dos biomas daria −2,2 M ha — um rombo 2,1× menor que o real, porque a compensação é intrabioma.
Quanto desse passivo o Estado já constituiu
Quanto desse passivo o Art. 68 pode dispensar
67.303 imóveis do estado têm indício de enquadramento no Art. 68 — quem suprimiu respeitando o percentual da época é dispensado de recompor até o percentual de hoje. Somados, são 6,8 M ha de exigência a menos, e 13.875 deles sairiam de déficit para saldo.
É indício, não dispensa: depende de reconhecimento pela SEMA, que exige prova documental da autorização à época — o satélite data a supressão, não prova a licença. Imóveis com supressão depois de 26/05/2000 ficam de fora da conta.
10,7 M ha de vegetação nativa excedente do estado em 35.826 imóveis — dos quais 7,2 M ha sem déficit próprio, sem embargo e sem TAC. É indício de excedente, não atestado de elegibilidade para compensação.
Outros 1,8 M ha em 1.757 imóveis estão dentro de unidade de conservação de domínio público pendente de regularização fundiária (Art. 66 §5º III). É teto, não estimativa: inclui área que o Estado já indenizou — o CAR não é cancelado na regularização.
E o seu imóvel — deve ou sobra Reserva Legal?
O mesmo cálculo desta seção, aplicado aos seus imóveis: déficit e excedente por bioma, a triagem do que é anterior a 22/07/2008 (o que pode compensar) e os caminhos do Art. 66. Grátis, por CAR.
Descobrir meu balanço no Balcão de Reserva Legal →Fontes: feições de RL e vegetação nativa declaradas no CAR (SICAR/SEMA-MT) × situação de análise do SIMCAR × embargos, TACs e termos ARLD da SEMA-MT. A tipologia que define a exigência (floresta × cerrado) vem do Mapa de Vegetação do RADAMBRASIL, base oficial do CAR-MT por força do Decreto MT 1.031/2017, art. 39, e da IN SEMA 5/2025, art. 34, na escala 1:1.000.000 — em imóvel encostado na divisa entre tipologias a classificação pode divergir da verificada em campo, e o próprio art. 39, §1º admite contestação por relatório técnico de fitofisionomia com vistoria da SEMA. Onde a carta não cobre o imóvel — e no Pantanal, onde a soma por tipologia ainda não foi validada contra demonstrativo oficial da SEMA — vale o percentual do bioma declarado: são 6.831 imóveis do estado. Cobertura por união geométrica de RL e VN, nunca soma: as duas se sobrepõem. O bioma é atribuído por imóvel (o dominante em área), nunca o do município — ele decide em que bioma a compensação tem de fechar, e é a régua de exigência de quem ficou fora da tipologia. O déficit é soma de declarações por imóvel — imóveis sobrepostos dupla-contam, então não é “área do estado”. Números do lote mensal; o passivo de cada imóvel sai no laudo dele.
621 mil ha sob autorização florestal vigente no estado
Área autorizada em PMFS (manejo pleno) e em AEF/PEF (exploração fora de plano de manejo), contando só os títulos com vencimento em aberto.
Dos 6.678 títulos que a SEMA-MT marca como “Ativo”, 5.901 já passaram do vencimento (88%). A régua aqui é a data de vencimento, não a situação do processo.
Exploração detectada nos últimos 12 meses × autorização
20.923 alertas · 205 mil ha. As duas classes vão separadas — a taxa de uma não descreve a outra.
Onde a exploração sem autorização se concentra
área não autorizada, em mil ha
Fontes: AUTEX/PMFS e autorizações de exploração florestal da SEMA-MT (vigência por data de vencimento) × alertas de monitoramento SEMA-MT. Publicamos área autorizada, nunca volume: não há metragem cúbica em nenhuma base ingerida. Títulos do mesmo processo contam uma vez (retificação e prorrogação geram título novo). PMFS e AEF/PEF são instrumentos distintos: a área total é a soma dos dois, sem desconto de eventual sobreposição.
14.125 processos minerários no estado
Processos ANM/SIGMINE atribuídos pela posição do polígono. Deles, 13.274 incidem sobre imóveis com CAR.
Por fase do processo
+ 1.723 processos em outras fases
Substâncias mais requeridas
Processos abertos por ano
Fonte: ANM/SIGMINE (baseline mensal) × malha de CARs — sobreposição geométrica Sentinela. Titulares constam no relatório por imóvel.
Cada número tem fonte oficial e data de coleta
O pipeline reingere cada base no ritmo dela — focos a cada 10 minutos, DETER diário, SEMA semanal — e carimba a data real da última coleta. Se a fonte falha ou atrasa, o painel avisa, não silencia.
Do estado ao imóvel em 30 segundos
Este é o retrato de Mato Grosso. O Sentinela faz o mesmo retrato — com veredito técnico — para qualquer CAR: desmate, fogo, embargo, Reserva Legal, APP, TAC e mineração, imóvel por imóvel.
Aviso: os indicadores agregados têm caráter informativo, derivados do cruzamento automatizado de bases públicas oficiais, e não substituem certidões ou pareceres dos órgãos competentes. Dados conforme as fontes na data de coleta indicada. Cite como: “Observatório Sentinela — MT”.